Voltamos depois do carnaval.
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Blog do Ituassu
comunicação, cultura e política
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
A segunda Mona Lisa
Obra encontrada no Museu do Prado e lançada pela primeira vez na National Gallery foi pintada ao lado da original.
O Art Newspaper publicou (quarta-feira, 01/02), com exclusividade, que uma réplica da Mona Lisa foi encontrada no Museu do Prado. A peça, oriunda de uma coleção da corte espanhola, estava nos depósitos da instituição e tida como de pouca importância.
Após a restauração, que retirou o fundo preto em volta do retrato, foram achadas muitas semelhanças com a original exposta no Louvre. A fotomontagem abaixo feita pela BBC causa espanto. As luzes no rosto têm o mesmo contorno, o olhar é o mesmo, o cabelo, a luz no pescoço, a paisagem, a linha que estabelece a profundidade, o desenho da água.
Estudos sobre a idade da obra também mostraram que a pintura foi muito provavelmente feita no estúdio de Leonardo da Vinci e na mesma época da original, entre 1503 e 1506, segundo o Louvre. Os dois quadros têm mais ou menos a mesma medida, a Mona Lisa original, 77x53cm, a do Prado, 76x57cm. Oficialmente, o Prado e o Louvre reconhecem a obra como de um dos assistentes diretos de Leonardo da Vinci, muito provavelmente Andrea Salai ou Francesco Melzi.
O quadro traz contribuições importantes sobre a pintura e o personagem. Mostra, em primeiro lugar, uma Mona Lisa mais fiel ao que era na época, uma jovem radiante de 20 e poucos anos, coisa que o tempo tirou da versão consagrada. A pintura exposta no Louvre não sofre restaurações, devido ao risco elevado e sua fragilidade. No que diz respeito à técnica, a pintura ilumina estratégias e estudos de Da Vinci em seus portraits. A Mona Lisa do Prado está, neste momento, na National Gallery, em Londres.
O Art Newspaper publicou (quarta-feira, 01/02), com exclusividade, que uma réplica da Mona Lisa foi encontrada no Museu do Prado. A peça, oriunda de uma coleção da corte espanhola, estava nos depósitos da instituição e tida como de pouca importância.
Após a restauração, que retirou o fundo preto em volta do retrato, foram achadas muitas semelhanças com a original exposta no Louvre. A fotomontagem abaixo feita pela BBC causa espanto. As luzes no rosto têm o mesmo contorno, o olhar é o mesmo, o cabelo, a luz no pescoço, a paisagem, a linha que estabelece a profundidade, o desenho da água.
Estudos sobre a idade da obra também mostraram que a pintura foi muito provavelmente feita no estúdio de Leonardo da Vinci e na mesma época da original, entre 1503 e 1506, segundo o Louvre. Os dois quadros têm mais ou menos a mesma medida, a Mona Lisa original, 77x53cm, a do Prado, 76x57cm. Oficialmente, o Prado e o Louvre reconhecem a obra como de um dos assistentes diretos de Leonardo da Vinci, muito provavelmente Andrea Salai ou Francesco Melzi.
O quadro traz contribuições importantes sobre a pintura e o personagem. Mostra, em primeiro lugar, uma Mona Lisa mais fiel ao que era na época, uma jovem radiante de 20 e poucos anos, coisa que o tempo tirou da versão consagrada. A pintura exposta no Louvre não sofre restaurações, devido ao risco elevado e sua fragilidade. No que diz respeito à técnica, a pintura ilumina estratégias e estudos de Da Vinci em seus portraits. A Mona Lisa do Prado está, neste momento, na National Gallery, em Londres.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Participação, cidadania e ciberrepública no Brasil
Resenha
do livro Internet e participação
política no Brasil, publicada na revista da
Associação Nacional dos Programas de
Pós-Graduação em Comunicação Social,
a e-compós.
Baixe o pdf
do artigo em www.ituassu.com.br.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Site em construção
Em construção
Voltamos em breve com novo visual.
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assine o site e fique sabendo.
Comunicação, cultura e política.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Música do Mundo Podcast - a última de 2011
Em clima de festa, a emenda da saúde ficou para o ano que vem e um podcast surgiu das cinzas do tempo.
A seleção começa com "Standing on the Corner of the Third World", música do álbum de 1989, Sowing the seeds of love, do Tears for Fears.
Em seguida, a clássica "Dark Star", o single do Grateful Dead lançado em 1968, na versão distribuída na trilha sonora do filme "The Dreamers", de Bernardo Bertolucci, sobre a Paris daquela época.
Depois, uma versão de David Bowie para "I'm waiting for the man", do Velvet Undergroud, da mesma época. Em seguida, o pop-jazz de Al Jarreau.
E, para terminar, duas do argentino Luciano Supervielle. Veja abaixo, no You Tube, uma versão arrebatadora que ele fez para Índios, do Legião, tocada em Montevidéu, em junho.
O programa tem em torno de 30 minutos e pesa 27m.
A dica para baixar o arquivo é utilizar o 'control+mouse' no Mac ou o botão direito do mouse no PC e pedir a transferência. Depois é só jogar no ITunes.
Baixe e ouça o arquivo aqui.
O Blog volta no ano que vem.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
A "longue durée" da crise na Europa
Em artigo publicado no jornal britânico The Guardian, o professor Timothy Garton Ash prevê um longo caminho de dificuldades para a União Européia. Na verdade, "uma jornada aterrorizante para se tornar um poder mundial menor".
Professor de Estudos Europeus da Universidade Oxford e autor publicado no mundo inteiro, inclusive no Brasil, pela Companhia das Letras, Timothy Garton Ash aponta pelo menos quatro desafios fundamentais à União Européia.
Em primeiro lugar, a questão mais imediata gira em torno da dificuldade dos governos europeus de ganhar novamente a confiança dos mercados. Para Garton Ash, o obstáculo pode ser medido pelo último anúncio da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de que salvariam mais uma vez o euro. A declaração conjunta foi na ocasião acompanhada do rebaixamento da nota da poderosa economia alemã pela agência Standard & Poor's.
O segundo problema levantado por Garton Ash diz respeito a que tipo de união fiscal, de ferramentas novas de intervenção do Banco Central Europeu e de garantias dadas pela Alemanha serão suficientes para acalmar os mercados. Em especial, o professor da Universidade Oxford lembra do embate entre a vagarosidade da política procedimental européia e a velocidade dos mercados integrados globalmente.
Um terceiro ponto colocado no contexto pergunta quais dos atuais Estados-membros estarão dispostos a fazer parte de uma suposta união fiscal européia mais rígida e que instituições garantirão tal comportamento por parte de unidades soberanas. O dilema está no coração da União Européia e põe frente à frente a soberania dos países e dos governos em seus territórios e os limites da supranacionalidade.
Para finalizar, Timothy Garton Ash apresenta um problema de filosofia política econômica. Para o autor, as economias européias só sairão da crise quando voltarem a crescer. No entanto, os incentivos para o crescimento vão no sentido contrário da ortodoxia pregada por Paris e, em especial, por Berlim. A última pergunta do autor é simples: "What if the anti-Keynesian policies demanded by Germany mean that significant parts of the eurozone do not return to growth?"
Segundo Garton Ash, o mundo pode se preparar para uma Europa menos unida novamente.
Professor de Estudos Europeus da Universidade Oxford e autor publicado no mundo inteiro, inclusive no Brasil, pela Companhia das Letras, Timothy Garton Ash aponta pelo menos quatro desafios fundamentais à União Européia.
Em primeiro lugar, a questão mais imediata gira em torno da dificuldade dos governos europeus de ganhar novamente a confiança dos mercados. Para Garton Ash, o obstáculo pode ser medido pelo último anúncio da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de que salvariam mais uma vez o euro. A declaração conjunta foi na ocasião acompanhada do rebaixamento da nota da poderosa economia alemã pela agência Standard & Poor's.
O segundo problema levantado por Garton Ash diz respeito a que tipo de união fiscal, de ferramentas novas de intervenção do Banco Central Europeu e de garantias dadas pela Alemanha serão suficientes para acalmar os mercados. Em especial, o professor da Universidade Oxford lembra do embate entre a vagarosidade da política procedimental européia e a velocidade dos mercados integrados globalmente.
Um terceiro ponto colocado no contexto pergunta quais dos atuais Estados-membros estarão dispostos a fazer parte de uma suposta união fiscal européia mais rígida e que instituições garantirão tal comportamento por parte de unidades soberanas. O dilema está no coração da União Européia e põe frente à frente a soberania dos países e dos governos em seus territórios e os limites da supranacionalidade.
Para finalizar, Timothy Garton Ash apresenta um problema de filosofia política econômica. Para o autor, as economias européias só sairão da crise quando voltarem a crescer. No entanto, os incentivos para o crescimento vão no sentido contrário da ortodoxia pregada por Paris e, em especial, por Berlim. A última pergunta do autor é simples: "What if the anti-Keynesian policies demanded by Germany mean that significant parts of the eurozone do not return to growth?"
Segundo Garton Ash, o mundo pode se preparar para uma Europa menos unida novamente.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
O dilema político do secularismo no Egito
Blog coordenado por Marina Ottaway no Carnegie Endowment For International Peace acompanha de perto o processo de transição política no Egito e faz um alerta: a democracia no país depende da disposição de seculares e islâmicos de trabalharem juntos.
Como afirma a última análise publicada no blog, "Egypt´s Election, Take One", os primeiros resultados das eleições egípcias para o Parlamento, após o fim da Era Mubarak, mostram que o Partido da Justiça e Liberdade, ligado ao antigo e tradicional movimento islâmico Irmandade Muçulmana, recebeu algo em torno de 40% a 45% dos votos e o Partido islâmico linha dura Salafi al-Nour, os chamados salafistas, de 20% a 25% dos votos. Mesmo que o pleito tenha sido realizado em apenas nove das 27 regiões eleitorais do país, diz o texto, os resultados das duas próximas rodadas, marcadas para meados de dezembro e de janeiro, não devem ser muito diferentes.
Com isso, a análise do Carnegie Endowment sugere que a chance de o governo egípcio ser dominado pelos islâmicos, incluindo a linha-dura dos salafistas, ou por uma aliança entre o Justiça e Liberdade e os partidos seculares vai depender da capacidade destes últimos e também dos militares de aceitar a força política da Irmandade Muçulmana no país.
Caso os militares e os partidos seculares tentem a confrontação direta, a probabilidade maior, segundo o Carnegie Endowment, é de uma reação conjunta dos islâmicos, com o apoio da militância organizada dos partidos, em especial do Justiça e Liberdade. A juventude ligada à Irmandade Muçulmana já demonstrou, nas últimas manifestações no Cairo, que sai às ruas quando chamada.
Caso os militares e os partidos seculares aceitem a posição de força do Justiça e Liberdade, há uma chance, segundo os especialistas do Carnegie, de se ter no país um governo mais estável e compartilhado. A hipótese é apresentada em outra análise do centro, intitulada "The Muslim Brotherhood's Democratic Dilemma".
Segundo o texto, a Irmandade Muçulmana vem historicamente adotando uma tática política cautelosa que inclusive se tornou paradigma para outros movimentos islâmicos no Oriente Médio. Durante o regime de Hosni Mubarak, tal estratégia foi bem representada no slogan: "Participação, não dominação". Em troca do direito de participar, os islâmicos garantiam aos poderes hegemônicos que não procurariam substituí-los, a fim de não provocar uma reação que pudesse atrapalhar o crescimento contínuo de sua influência política. Da mesma forma, não obter o controle político total abstém os movimentos islâmicos de ter que lidar com os problemas sérios econômicos e de segurança da região, com os desgastes vinculados às questões do desemprego e do relacionamento com Israel, por exemplo.
As exceções recentes a essa estratégia teriam ocorrido apenas na Argélia, em 1992, e na Palestina, em 2006, e em ambos os casos o resultado foi uma guerra civil. Desde as manifestações de 25 de janeiro, no Egito, a Irmandade Muçulmana, segundo o Carnegie Endowment, demonstrava que, pelo menos até as eleições, ainda não havia abandonado esse comportamento.
O problema aqui, no entanto, de forma contraditória, é o tamanho do sucesso eleitoral do Justiça e Liberdade no pleito recente, o que coloca os islâmicos em face da tentação de assumir o controle político que as urnas lhes provêm. Mesmo assim, a Presidência ainda estaria aberta, o que não é pouco em se tratando do regime presidencialista egípcio.
Nesse sentido, não há dúvidas, o futuro da democracia no Egito dependeria da capacidade de islâmicos, militares e seculares de aceitarem o jogo político e os atores em cena, evitando assim um processo generalizado de radicalização. Depois de décadas de repressão e violência por parte de uma ditadura financiada em Washington, sob a justificativa de não perder o Cairo para os movimentos islâmicos – afinal, o Egito de Hosni Mubarak chegou a compartilhar com Israel e Colômbia o rol dos três países que mais recebiam financiamento norte-americano no mundo –, o povo egípcio se vê hoje às voltas com uma questão tão fundamental quanto inevitável: sua própria identidade política.
Como afirma a última análise publicada no blog, "Egypt´s Election, Take One", os primeiros resultados das eleições egípcias para o Parlamento, após o fim da Era Mubarak, mostram que o Partido da Justiça e Liberdade, ligado ao antigo e tradicional movimento islâmico Irmandade Muçulmana, recebeu algo em torno de 40% a 45% dos votos e o Partido islâmico linha dura Salafi al-Nour, os chamados salafistas, de 20% a 25% dos votos. Mesmo que o pleito tenha sido realizado em apenas nove das 27 regiões eleitorais do país, diz o texto, os resultados das duas próximas rodadas, marcadas para meados de dezembro e de janeiro, não devem ser muito diferentes.
Com isso, a análise do Carnegie Endowment sugere que a chance de o governo egípcio ser dominado pelos islâmicos, incluindo a linha-dura dos salafistas, ou por uma aliança entre o Justiça e Liberdade e os partidos seculares vai depender da capacidade destes últimos e também dos militares de aceitar a força política da Irmandade Muçulmana no país.
Caso os militares e os partidos seculares tentem a confrontação direta, a probabilidade maior, segundo o Carnegie Endowment, é de uma reação conjunta dos islâmicos, com o apoio da militância organizada dos partidos, em especial do Justiça e Liberdade. A juventude ligada à Irmandade Muçulmana já demonstrou, nas últimas manifestações no Cairo, que sai às ruas quando chamada.
Caso os militares e os partidos seculares aceitem a posição de força do Justiça e Liberdade, há uma chance, segundo os especialistas do Carnegie, de se ter no país um governo mais estável e compartilhado. A hipótese é apresentada em outra análise do centro, intitulada "The Muslim Brotherhood's Democratic Dilemma".
Segundo o texto, a Irmandade Muçulmana vem historicamente adotando uma tática política cautelosa que inclusive se tornou paradigma para outros movimentos islâmicos no Oriente Médio. Durante o regime de Hosni Mubarak, tal estratégia foi bem representada no slogan: "Participação, não dominação". Em troca do direito de participar, os islâmicos garantiam aos poderes hegemônicos que não procurariam substituí-los, a fim de não provocar uma reação que pudesse atrapalhar o crescimento contínuo de sua influência política. Da mesma forma, não obter o controle político total abstém os movimentos islâmicos de ter que lidar com os problemas sérios econômicos e de segurança da região, com os desgastes vinculados às questões do desemprego e do relacionamento com Israel, por exemplo.
As exceções recentes a essa estratégia teriam ocorrido apenas na Argélia, em 1992, e na Palestina, em 2006, e em ambos os casos o resultado foi uma guerra civil. Desde as manifestações de 25 de janeiro, no Egito, a Irmandade Muçulmana, segundo o Carnegie Endowment, demonstrava que, pelo menos até as eleições, ainda não havia abandonado esse comportamento.
O problema aqui, no entanto, de forma contraditória, é o tamanho do sucesso eleitoral do Justiça e Liberdade no pleito recente, o que coloca os islâmicos em face da tentação de assumir o controle político que as urnas lhes provêm. Mesmo assim, a Presidência ainda estaria aberta, o que não é pouco em se tratando do regime presidencialista egípcio.
Nesse sentido, não há dúvidas, o futuro da democracia no Egito dependeria da capacidade de islâmicos, militares e seculares de aceitarem o jogo político e os atores em cena, evitando assim um processo generalizado de radicalização. Depois de décadas de repressão e violência por parte de uma ditadura financiada em Washington, sob a justificativa de não perder o Cairo para os movimentos islâmicos – afinal, o Egito de Hosni Mubarak chegou a compartilhar com Israel e Colômbia o rol dos três países que mais recebiam financiamento norte-americano no mundo –, o povo egípcio se vê hoje às voltas com uma questão tão fundamental quanto inevitável: sua própria identidade política.
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