
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Afinal, quem é Barack Obama?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Frost/Nixon e Dallek

Chegou às lojas brasileiras o DVD do sensacional Frost/Nixon, de Ron Howard. O filme tem por base a peça do escritor britânico Peter Morgan sobre as entrevistas que Richard Nixon concedeu ao jornalista, também britânico, David Frost, em 1977. As entrevistas foram transmitidas pela televisão americana divididas em quatro programas. No último, dedicado ao caso Watergate, Nixon admite pela primeira vez desde a renúncia que teve uma participação condenável no caso. Mais que isso, expõe claramente sua filosofia de poder. "When the president does it, that means that it is not illegal", chega a afirmar.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Nada de internet, a revolução vem da TV

Uma excelente análise de Charles Kenny publicada na última edição impressa da revista Foreign Policy sugere que não será a internet o motor tecnológico transformador da realidade social global nas próximas décadas, mas a televisão. Segundo o autor, a disseminação global da televisão acompanhada da proliferação digital de canais têm o potencial de modificar o comportamento das mulheres com relação à taxa de natalidade, tornar mais difícil a corrupção política e diminuir a incidência de guerras no planeta.
Como mostra Kenny, em 2007 havia mais de uma televisão para cada quatro pessoas no planeta. Mais de um bilhão de casas no mundo tinham o aparelho naquele ano. Mas outros 150 milhões de lares o possuirão até 2013. Hoje, metade das famílias indianas tem TV, em relação ao um terço de 2001. No Brasil, o índice atual é de mais de 75%. Em comparação, apenas 7% dos indianos e um terço dos brasileiros têm acesso à internet.
Além disso, há uma explosão da escolha em andamento. Em 2013, metade das televisões do mundo estarão recebendo sinal digital, o que significa mais canais. De fato, quase dois terços dos lares na Índia com TV já possuem canais por assinatura. Nos Estados Unidos de hoje, a média de canais por lar chega a 119.
Com relação à liberdade da mulher, Kenny cita pesquisas que tratam da realidade brasileira. “Em um país onde o divórcio só foi legalizado em 1977, quase um quinto das personagens femininas em novelas da Globo são divorciadas. E um quarto das mesmas são infiéis. Além disso, 72% das personagens femininas nas novelas não têm filhos e apenas 7% têm mais de uma criança. Em 1970, a taxa de natalidade média da mulher brasileira era seis vezes maior. Nesse sentido, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento, assistir novelas da Globo têm o mesmo impacto, no que diz respeito à taxa de natalidade e nas áreas mais pobres, que dois anos a mais de educação.
A influência positiva nesse campo, no entanto, é contraposta por Charles Kenny quando o assunto é política. Com baixíssima concorrência, a Globo tem poder para controlar eleições, como a de 1989. Segundo pesquisa de Taylor Boas, as pessoas que assistiam televisão freqüentemente em 1989 tiveram 13% mais chance de votar em Fernando Collor do que aquelas que se mantinham distantes do aparelho. “Em um país rico em escolhas, como os Estados Unidos, não é possível identificar qualquer padrão entre horas de televisão e propensão para votar”, afirma Kenny. De fato, a Globo hoje gera uma armadilha de linguagem à política brasileira, absurdamente maléfica. Em especial no Rio de Janeiro, onde o jornal impresso da empresa também é o dominante.
Com relação à paz mundial, o autor afirma que a televisão reforça o cosmopolitismo e o senso de humanidade, fazendo com que as pessoas sejam mais sensíveis à guerra. Nos Estados Unidos, um minuto a mais de cobertura sobre o tsunami na Ásia, por exemplo, gerava 13% de aumento nas doações para os atingidos.
“Ver televisão expõe as pessoas a novas idéias e a povos diferentes. Com isso, surgem grandes oportunidades, a tendência à igualdade se fortalece e o mundo se torna mais inteligível”, afirma Charles Kenny.
Alguém duvida?
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
O nacional e o regional da violência no Rio
O testemunho "Assessing U.S. Drug Policy in the Americas" feito pelo vice-presidente do International Crisis Group (ICG), Mark Schneider, no último dia 15 de outubro, no Congresso americano, aponta para dois pontos fundamentais do combate ao tráfico de drogas e da violência que são pouco explorados no debate brasileiro sobre a situação do Rio de Janeiro: a perspectiva regional (e por isso também nacional) do problema e o "efeito mercúrio" gerado pela política de repressão simples e tacanha.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Como a Olimpíada transformou Barcelona

segunda-feira, 28 de setembro de 2009
O risco do envolvimento em Honduras

Excelente análise da Reuters aborda os riscos do envolvimento brasileiro em Honduras. Para muitos analistas, a política externa brasileira aproveitou a brecha para reforçar sua posição no continente americano, mas a aposta pode ser bastante custosa para Brasília.
Voluntariamente, a política externa brasileira se colocou dentro de um impasse que não lhe dizia respeito e numa posição sem espaço para manobras. Agora, são poucas as opções na mesa. Não há perspectiva de negociação, nem de se conseguir amplo apoio externo (o problema agora é do Brasil), e os focos de tensão envolvendo a embaixada brasileira são muitos.
O Council of the Americas tem uma boa página de artigos variados sobre o tema.
O futuro das finanças globais

A série Crossroads - essays examining changes in the collective American experience - do Sunday Book Review (New York Times) publicou, no último dia 17 de setembro, o texto The Future of Global Finance, de Liaquat Ahamed, autor do best-seller nos EUA, Lords of Finance: The Bankers Who Broke The World.
O artigo é um excelente apanhado do vem sendo debatido sobre o futuro da economia internacional pós-crise. Um possível cenário, aponta Ahamed, prevê um grande ajuste no consumo americano, no modelo exportador asiático - que muitos defenderam para o Brasil nos anos 1990 - e nos bancos que lidam com as finanças globalizadas. O receio é de um forte processo de "desglobalização", como o que ocorreu após a Grande Depressão.
"One scenario has the world adjusting smoothly to the new realities. American consumers, tapped out by debt, tighten their belts. The Asian economies reconsider the wisdom of relying so heavily on exports to drive their growth and focus more on domestic consumption. And with less money to recycle, international banks, which had done such a poor job, are cut down to size."
Mas, para o analista, a situação ainda pode ficar pior no mercado global.
"[T]wo dangers could make the current bad situation worse. One is that China finds it too difficult or politically costly to restructure its economy and, despite the changes in the global market, keeps its foot on the export accelerator. Since the American consumer cannot afford to keep buying, this would set off a cycle of trade wars among Asian countries competing for ever smaller markets.
The second is yet another version of Triffin’s dilemma: if even a small fraction of foreign holders of dollars were to be spooked by our budgetary problems, we could have a spike in the cost of capital just when the economy is trying to recover. The risk of such a situation is clearly on the minds of Chinese policy makers. Zhou Xiaochuan, the governor of the People’s Bank of China, explicitly referred to Triffin’s dilemma in a speech this March on the need for reform of the international monetary system."
Sobre o problema do déficit americano em conta corrente, discutido por Ahamed, diz o Peterson Institute for International Economics:
"The global current account deficit of the United States is now larger than it has ever been—nearing $800 billion, almost 7 percent of US GDP. To finance both the current account deficit and its own sizable foreign investments, the United States must import about $1 trillion of foreign capital every year or more than $4 billion every working day. The situation is unsustainable in both international financial and domestic political (i.e., trade policy) terms. Correcting it must be the highest priority for US foreign economic policy. The most constructive remedy in the short term is a three-part package that includes credible, sizable reductions in the US budget deficit, expansion of domestic demand in major economies outside the United States, and a gradual but substantial realignment of exchange rates."